Publicado a 5 de agosto de 2026 · 3 min de leitura

Quase toda a gente tem a mesma imagem na cabeça: uma tarde quente demais, uma mesa de campismo e um adulto que te põe à frente um postal, uma caneta e aquela frase — «escreve duas linhas à avó». Provavelmente resmungavas. Não sabias o que dizer e acabavas por escrever que estava sol e que a piscina era ótima. E, mesmo assim, esse postal está muito provavelmente ainda algures: colado ao frigorífico ou guardado numa caixa de bolachas.
O ritual aguentou porque pedia quase nada: quatro linhas desajeitadas, um selo, um marco do correio a caminho da padaria. Do lado da avó, no entanto, o efeito não tinha nada de proporcional ao esforço. Receber um postal é a prova de que alguém pensou em ti enquanto estava ocupado a viver outra coisa. Depois há o objeto em si: uma mensagem lê-se uma vez, um postal olha-se durante meses. Muitos avós guardam-nos às pilhas, com a data atrás, e sabem dizer-te que verão corresponde a que praia.
O que mudou foi o ponto de partida. Já ninguém roda o expositor rangente à porta da loja da aldeia: a fotografia já a tens no telemóvel e vale muito mais do que a vista aérea do costume. A tua filha com areia até aos joelhos, a montanha de manhã, a esplanada ao pôr do sol — é isso que a avó quer ver.
Fica então com o ritual e muda só a ferramenta. Escolhe a fotografia nessa mesma noite, deixa os miúdos ditarem a mensagem mesmo que não conte nada de extraordinário, e envia o postal da praia. Connosco sai a partir de 2,49 € tudo incluído, impressão e selo incluídos, e chega a uma caixa de correio verdadeira dois ou três dias depois. O gesto passa-se sozinho: as crianças que este verão escrevem à avó serão as que, daqui a trinta anos, vão estender uma caneta a alguém dizendo exatamente a mesma frase.